Tudo é novo. Como se eu tivera nascido ontem. E todas as coisas são repletas de miúdas infinitezas. E todas as coisas que vejo ao meu redor parecem não terem estado ali antes. E eu percebi o quão bom é ser assim. Alguns chamam de utopia, eu acredito que isso é amor.
A primeira vez que tocou meu corpo, estremeci. Era apenas um toque sutil. Ele beijou a palma da minha mão. Eu senti como se tivesse beijado minha alma inteira naquele instante. E eu sabia, exatamente ali, que de alguma forma alucinante era ele. Era ele pra sempre. Mesmo que o sempre seja só até amanhã.
Quando me fez sorrir pela primeira vez, eu entendi. Entendi sobre a teoria do buraco negro, entendi sobre a teoria do caos, entendi sobre todas as coisas que antes não faziam o menor sentido para mim. Eu entendi o que eles diziam nas canções românticas, eu entendi as mensagens que tentavam passar nos filmes dramáticos francês que eu tanto adorava e não entendia o porquê.
Quando eu o fiz sorrir e aquele sorriso iluminou a rua da minha casa, eu acreditei. Acreditei em tudo aquilo que eu ouvia dos outros sobre o amor. Eu acreditei num amanhã melhor, mesmo sendo eu tão pessimista. Eu acreditei em futuro, em família, em fidelidade e lealdade como nunca antes havia acreditado.
Talvez eu nunca me esqueça do cheiro da sua camisa ou do fato de eu quebrar algo que ele tanto gostava no primeiro abraço - e o fato dele rir disso como se não houvesse importância. Eu sei que eu não vou me esquecer daquelas palavras: "não me odeie, estou na sua porta."
Alguma coisa aconteceu naquele dia que mudaria toda a minha forma de ver o mundo, as pessoas e os sentimentos. Pela primeira vez, em muitos anos, eu sinto algo bom por alguém. Eu sinto uma felicidade contagiante. Eu quero dançar tango no meio da chuva. Eu quero ele dançando comigo, também.
Naquele peito, eu consigo descansar o peso de toda uma vida. É naquele abraço que eu tenho o melhor lugar do mundo sem sair do lugar. É naquele peito o local que eu fiz moradia. Eu não pretendo ir embora, como fiz com todos os outros. Eu gosto de ficar, sentar e esperar ele aparecer. Eu gosto de como meus olhos brilham quando eu falo sobre ele pra alguém e o sorriso involuntário que escapa dos meus lábios ao falar teu nome.
Eu gosto de ir dormir sabendo que eu tenho ele dentro-dentro de mim.
10/15/2016
9/19/2016
A peça.
Constantemente, me vejo do lado de fora das coisas. Como se eu pudesse observar e absorver tudo aquilo que está ali, embora eu não consiga participar. Eu costumo ver o mundo das pessoas em pouquíssimo tempo e isto me dá a vantagem de permanecer ou sair daquele recinto sorrateiramente.
Não consigo pertencer a nada. Tudo é complexo e frágil demais para o meu toque. Costumo destruir tudo aquilo em que ponho as mãos. Aprendi da forma mais árdua que não posso me dar o luxo do prazer de me sentir confortável a alguém ou a uma situação porque, de uma forma enigmática, eu tenho um dom de estragar tudo de bom que a vida me dá.
Aprendi, ao longo dos anos, a fingir muito bem. Eu sei o momento exato em que devo sorrir ou quando devo falar. Eu sei exatamente o que falar. Eu construí uma muralha impenetrável entre mim e as pessoas e isso me trouxe privilégios que eu não teria caso eu me sentisse parte daquilo.
Eu analiso tudo muito bem. Sou minuciosa. Aproveito deixas para catalogar e analisar tudo aquilo ao meu redor. Sei penetrar a mente humana e sair dali como se nunca tivesse estado. As pessoas, geralmente, não entendem este poder de persuasão, o que me faz acreditar que emoções são mais perigosas do que não estar apto ao sentimento.
Eu costumava me esforçar para sentir, pertencer, entender, demonstrar. Eu fingia acreditar em seres superiores para que eu tivesse alguém para reclamar e culpar. Ao olhar para os olhos refletidos no espelho, eu percebi que não havia chance para mim naquele âmbito. Era eu por mim e eu não poderia contar com mais ninguém ao redor porque nenhum deles entenderia o que é ser assim.
Apesar de tudo, eu me comovo - ou talvez isso seja apenas parte da atuação do meu papel perante a humanidade - e sinto, de uma forma sútil. Constantemente, eu sinto indiferença. Dizem que é uma emoção. Do resto, eu não entendo. Nunca tive a capacidade de amar alguém, mas acredito que é um dos mais terríveis sentimentos, visando que é em nome dele que as pessoas matam e morrem diariamente.
Não consigo pertencer a nada. Tudo é complexo e frágil demais para o meu toque. Costumo destruir tudo aquilo em que ponho as mãos. Aprendi da forma mais árdua que não posso me dar o luxo do prazer de me sentir confortável a alguém ou a uma situação porque, de uma forma enigmática, eu tenho um dom de estragar tudo de bom que a vida me dá.
Aprendi, ao longo dos anos, a fingir muito bem. Eu sei o momento exato em que devo sorrir ou quando devo falar. Eu sei exatamente o que falar. Eu construí uma muralha impenetrável entre mim e as pessoas e isso me trouxe privilégios que eu não teria caso eu me sentisse parte daquilo.
Eu analiso tudo muito bem. Sou minuciosa. Aproveito deixas para catalogar e analisar tudo aquilo ao meu redor. Sei penetrar a mente humana e sair dali como se nunca tivesse estado. As pessoas, geralmente, não entendem este poder de persuasão, o que me faz acreditar que emoções são mais perigosas do que não estar apto ao sentimento.
Eu costumava me esforçar para sentir, pertencer, entender, demonstrar. Eu fingia acreditar em seres superiores para que eu tivesse alguém para reclamar e culpar. Ao olhar para os olhos refletidos no espelho, eu percebi que não havia chance para mim naquele âmbito. Era eu por mim e eu não poderia contar com mais ninguém ao redor porque nenhum deles entenderia o que é ser assim.
Apesar de tudo, eu me comovo - ou talvez isso seja apenas parte da atuação do meu papel perante a humanidade - e sinto, de uma forma sútil. Constantemente, eu sinto indiferença. Dizem que é uma emoção. Do resto, eu não entendo. Nunca tive a capacidade de amar alguém, mas acredito que é um dos mais terríveis sentimentos, visando que é em nome dele que as pessoas matam e morrem diariamente.
Veredito.
Naquela noite, eu pensei:
"Vou me matar"
Era isso, nada mais importava
Nem as contas espalhadas na mesa
Nem as cartas escondidas na gaveta.
Naquela noite, eu comecei
Um processo lento e destrutivo
Saí pra beber com uns amigos
Esperava que isso acalentasse minha alma
Em vão, voltei pra casa sem um tostão.
Naquela noite, eu concluí
Nada adianta tentar sumir
Outros nascerão para me substituir
Seja no meu trabalho ou no meu relacionamento
Assim descubro que trata-se apenas de esquecimento.
Naquela noite, eu senti
O amargo do veneno
O doce beijo sereno
De algo que eu pensava nem existir
Me olhei no espelho e vi
Que apesar de todo sofrimento
Sou eu por mim neste tormento.
9/12/2016
Tempo
Tenho tentado arduamente esperar por você, mesmo que você
não tenha pedido por isso e mesmo que tudo em você pareça querer me repelir.
Continuo aqui porque, de alguma forma, parece ser a coisa certa a fazer por
você e pelo que poderia vir a ser um “nós”.
Confesso que o processo de espera para mim é um tanto
complicado, acredito que ninguém goste de sentar e esperar por algo –
principalmente quando é incerto -, porque tenho visto as coisas mudarem e o
tempo passar sem que nenhum raio de esperança mencione aparecer. E isso me
apavora.
A angústia que a ausência causa é terrível. O teu silêncio
é mais alto que um tiro. E tudo parece desmoronar quando eu começo a perceber
que talvez eu esteja esperando totalmente em vão, que talvez seu caminho tenha
sido alterado no percurso e você tenha ido em uma direção completamente oposta
ao que eu esperava.
Talvez, no fim disto, eu perceba que mais uma vez o erro foi
meu: expectativas geram frustrações desnecessárias. Eu tenho tido essas
expectativas surreais de que, por carinho ou descuido, você voltasse de vez e
não quisesse mais partir. E eu estou começando a entender que a possibilidade
de te ver voltar está tornando-se cada vez mais decaída.
Eu não posso mais lutar por alguém que desistiu, por
alguém que não vem, por alguém que não possui a capacidade emocional de se
importar o suficiente. Eu não posso mais porque eu já estive tanto tempo em
batalhas perdidas, lutando sozinha, tentando que o muro não fosse erguido, para
que no fim não restasse nada além de mim e toda minha esperança destroçada.
Aprendi que para ganhar uma batalha tão grandiosa você não pode ir a arena
sozinha. E é aqui que a espera termina.
9/11/2016
Acorde.
Não o vejo há um tempo, desde o dia em que eu saí do teu
apartamento com o tênis nas mãos e o coração nos pés. O dia em que pude te
olhar pela última vez foi o mesmo dia em que te senti pela última vez.
Voltei pra casa ouvindo aquela música que você me mandou uma
vez. Na época, estava tão encantada com a idealização que fiz de você que nunca
percebi a mensagem por trás daquela canção. Quando o primeiro raio de sol saiu,
eu já estava voltando pra casa. Você tinha ido dormir. E eu passei quarenta
minutos em pé dentro daquele ônibus chorando, pensando em como eu fui estúpida.
Aquela música tocou há alguns minutos. Pela primeira vez,
desde que estive encantada por ti, pude reparar nela com outros olhos. Era só
uma música de adeus, eu achava que era uma declaração de amor.
Você partiu. Não sei o que tem feito. Não procuro mais
saber. Houve um tempo em que eu ia atrás constantemente, te procurava em outros
rostos e outros toques. Isto acabou. Quando acordei e me dei conta, eu estava
acabada e cansada de um pseudo-amor que eu sentira e nunca me voltou da mesma
forma. Então eu parti.
Ouço a música com uma profunda tristeza, me faz lembrar do
quão tola eu fui ao acreditar em coisas que só existiram dentro da minha cabeça
enquanto você continua sendo quem sempre foi, não se importando com mais
ninguém além de si mesmo. Espero que você tenha mudado isso, mas dessa vez eu
não vou ficar pra ver.
“Looking
back I almost thought I heard you say
Stay you're
not gonna leave me
This place
is right where you need to be
And why
your words gotta mean so much to them
When they
mean nothing to me
So stay
you're not what you're hearing
'Cos I've
been watching you changing
And who
said you're one in a million?
You're so
much better than that.”
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