6/04/2014
3/15/2014
O cotidiano.
Você liga a TV e vai para a cozinha, gosta do barulho da TV
ao fundo pois lhe faz sentir um pouco mais segura, como se houvesse outro ser
ali além de você embora saiba que essa solidão não passa com ruídos e grunhidos
que a TV causa. Você está na cozinha e se apoia numa perna, depois na outra e
fica nessa até lembrar o que foi fazer ali. Café de ontem, põe no microondas e
reaquece para parecer novinho em folha mas você sente aquele gosto de ontem e
sabe que as coisas, por mais que você tente e se esforce, não podem ter o sabor
de antes. Você se perde em pensamentos soltos enquanto senta e assiste a TV,
provavelmente outro avião caiu ou mais alguém famoso faleceu mas você não se
importa porque essas notícias estão ali todos os dias, como se o noticiário ficasse
repetindo as catástrofes todos os dias com a diferença de lugar e pessoas
envolvidas. Você não entende mais a vida e quer fugir dessa rotina cansada que
leva há anos mas não sabe nem por onde escapar, não vê saída ou rota de fuga
dessa mediocridade do dia-a-dia e sabe que, apesar de querer desesperadamente
sumir por um mês ou dois, você precisa ficar e resolver as coisas que precisam
ser resolvidas diariamente. Você pensa no seu cachorro e imagina o que aconteceria
com ele caso você resolvesse dar a tal sumida, então volta a órbita e tira essa
ideia maluca da cabeça pois sabe que ali tem uma alma que precisa de você para
sobreviver. Então você esquece a TV e o café, caminha sem pressa alguma até o
banheiro e se olha por alguns minutos diante do espelho e quase sorri pra
aquela pessoa ali refletida: é você mas você não é mais você há tanto tempo. Isso
quase te faz entrar em pânico, você sente falta de quem você costuma ser mas já
não consegue mais ser aquela pessoa de antes. Tantas coisas te aconteceram para
que transformasse nessa pessoa meio amargurada, meio desconfiada, meio tanto
faz. Você perdeu aquela alegria de sempre, aquele sorriso doce que tinha assim
que acordava e o mundo não pode mais te culpar por isso, você têm aprendido da
maneira mais difícil possível a ser um ser humano como outro qualquer. Você
terá seus sonhos destruídos, sua alma amassada por porções de palavras e
atitudes mas você não deve temer tanto assim, afinal, isso lhe trouxe um
aprendizado que nenhum dos livros da sua estante poderia te trazer. Você cansa
de sentir dó de si mesma, respira fundo e tenta enfrentar o dia. Sai apressada
depois de um banho pois já sabe que está atrasada, suas sessões consigo mesma
estão demorando mais ultimamente pois há questionamentos demais dos quais você
queria obter respostas e não consegue nada. O tráfego é de se queixar mas você
não lamenta, você gosta de andar de ônibus pela cidade enquanto observa os
lugares, pessoas e o que mais puder observar. A cidade pela manhã parece quase plena,
saudável, mais viva até. Te dá uma saudade de quando você tinha alguém para
acompanha-la nessas viagens de ônibus ao trabalho. Você se lembra dele mas não
dura muito, afinal, você se prometeu esquecê-lo mas não tem sido bem sucedida
na tal promessa. Pouco depois você chega naquele lugar lotado de pessoas e
sempre anda um pouco mais rápido com medo de ser trombada por alguém pois se
considera frágil e pequena demais para não cair ou se machucar. Ofegante, você
chega e senta. Põe os fones e não olha pros lados. Sabe que alguns pares
curiosos de olhares estão voltados pra você. Você finge não ligar e fica
trocando de música numa tentativa desesperada de se ocupar com algo que não
seja aqueles olhares curiosos. O dia segue e você percebe que será mais um dia
comum, como todos os outros, apesar daquela pequena esperança no seu coração de
que algo realmente interessante acabará por acontecer e mudará todo o seu humor
e o curso do seu dia. Você sente falta da mulher que era antes pois aquela lá
sabia se divertir, a de hoje segue uma rotina fatigada e está sempre tão
ocupada com tudo que mal tem tempo para amigos e barzinhos. E você e todos os
seus amigos já não gostam tanto da mulher que você se tornou, apesar de ser uma
mulher de sucesso. Você não se importa mais, vê seu ciclo de amizades
diminuindo a cada dia e não se tranca no quarto e chora a noite de inteira.
Você aprendeu a perder as pessoas e, apesar de difícil, isso foi um dos
melhores aprendizados que já teve. Quando alguém parte, ainda dói. Acho que
essas partidas sempre vão doer, mais cedo ou mais tarde, mas já não é tão
grande coisa assim pra você. Você só respira fundo e segue em frente, sabe que
se não ficam é por que não deveriam nem entrar. Pensa tão diferente de um ou
dois anos atrás que isso assusta demais os conhecidos que você não vê há anos e
se encontram por caso. Dizem que você mudou muito e te dão um sorriso falso,
você sente mas devolve o sorriso da melhor forma possível. Você ensaiou tantos
sorrisos falsos que agora eles são seus sorrisos naturais e ninguém percebe.
Você chega em casa exausta, cansada do dia chato e das pessoas curiosas, você
só quer um café quente e um filme de comédia meia boca pra aliviar a tensão do
apartamento. Você está sozinha, como sempre. Você ri desesperadamente duma
comédia boba só por não ter rido há tanto tempo. Ri alto, com gosto, mas quando
acaba aquele riso que ecoa pela sala de estar você se põe a chorar. E chora
muito. E parece que vai desidratar. Você só senta e chora. E você não quer
fazer mais nada além de ficar sentada e chorando. Chora quase sempre porque
alivia alguma dor que você não sabe onde começa ou onde termina, chora por que
sente uma dor tão urgente e sabe que não tem cura. Você limpa as lágrimas
mescladas com o rímel e caminha descansada até sua cama. De lá você vê o céu.
Hoje está limpo, estrelado e dá pra ver a lua enquanto você está deitada. Você
sorri e se acha boba. Você, por fim, fecha os olhos e pensa: amanhã vai ser um
dia maravilhoso. E dorme. E acorda e liga a TV e vai para a cozinha. Sabe que o
dia vai ser uma merda, como todos os outros.
2/27/2014
Mais açúcar, por favor!
-
O café está frio. – Eu disse, distraída com a sessão de esportes que lia do
jornal do dia anterior.
-
Claro, nada nunca está bom para você. – Ele disse em tom ríspido e voraz.
-
Eu posso requenta-lo no microondas, não tem problema. – Eu disse, dando de ombro
-
Não é sobre o café, Elisa. Você nunca está contente com nada que eu faço.
Eu
pigarreei e inspirei fundo, já havíamos tido essa conversa há algumas semanas e
terminou com um saindo apressado pro trabalho e o outro correndo pro bar. Eu
não queria ter aquela lavagem emocional mais uma vez em menos de um mês. Mas eu
entendia a gravidade da situação e entendia, também, que eu era uma pessoa
difícil de lidar e que, realmente, poucas coisas que ele fazia estavam ao meu
agrado e eu sempre esquecia de agradecê-lo ou algo do tipo.
-
Desculpa! – Eu disse, tentando fingir remorso pelo comentário insensível.
-
Desculpa uma porra, Elisa. Não pede desculpa e finja que se arrependeu. Você
nunca se arrepende. Daqui há uma hora ou menos você vai fazer isso de novo e de
novo e nem vai se importar. Você não se importa mais, Lis. E eu nem sei se
algum dia você realmente se importou.
Parei
de tomar o café frio por um momento e o olhei incrédula. Tudo bem, eu não era a
mais sensível dos ser humanos mas ao ponto de não me importar com nada? Deus
sabe que ele era importante pra mim, eu só tinha esse problema de não
demonstrar as coisas do jeito certo. Eu sempre fazia as coisas do jeito mais
torto que eu conseguia fazer e aquilo me bastava mas não o bastava, nunca o
bastou.
-
O que você quer que eu diga? É uma droga de café frio! Custava você pôr vinte
segundos no microondas e esquentar? Vinte segundos, Oliver. Isso não te
mataria! – Eu berrei, enquanto trombava meu ombro por ele e passava para a sala
de estar.
-
Não é sobre o café! Nunca foi só sobre o café. Estou te falando, Elisa, você é
um ser humano insensível demais. Você não se importa se alguém der tudo o que
ele tem, você sente que ele precisa te dar a alma também. E quando consegue,
você não faz o mínimo esforço para agradecer. Nem um sorriso sequer.
-
Adivinha? Essa sou eu! Eu sempre fui assim. Eu nasci assim. O problema é que
você estava apaixonado demais para se importar com meus enormes defeitos, eles
pareciam bonitinhos aos seus olhos apaixonados. E agora você me vê como um saco
de defeitos ambulante e está arrependido do dia em que se apaixonou por mim.
-
Não é isso, Lis. Eu a amo. Amo-a com todo o meu coração, de toda a minha alma.
Só você sabe o quanto eu a amo e você não pode negar isso. – Oliver tinha uma
expressão triste ao dizer cada palavra naquela frase.
-
Eu não disse que você não me amava, eu disse que você está arrependido do dia
que se apaixonou por mim. – Eu pausei e suspirei profundamente – E eu também
estou arrependida do dia em que me apaixonei por você. – Eu disse em uma voz
desconsertante.
Oliver
me olhou de baixo pra cima enquanto levantava a cabeça para me olhar no fundo
dos olhos. Eu senti o que ele sentiu naquele momento e isso ardeu meu coração. Ele
ficou me encarando por mais alguns segundos antes de sumir do meu campo de
visão.
Eu
não queria ir atrás dele, não por orgulho ou coisa do tipo mas por que eu sabia
que eu havia o machucado o suficiente e que agora não era uma boa hora, ele
reuniria todas as palavras mais tortuosas e jogaria em frases ríspidas que me
cortariam a alma. Eu não estava pronta para ouvir nada que pudesse partir mais
ainda o meu coração.
Quando,
enfim, ele saiu do quarto junto com uma mochila nas costas, ele me olhou
desconsolado e ficou apenas parado enquanto eu tentava entender o motivo
daquela mochila tão grande. Ele não podia estar partindo, não assim e não por
isso. Ele não podia fazer aquilo comigo. Mas fez. E saiu pela porta da frente
sem me dizer nada.
Sentei
no chão frio de costas para a parede e me encolhi. Chorei por algumas horas,
senti uma pena imensa de mim mesma e pensei o quão tola eu fui por dizer
aquelas palavras impensadas para ele. Eu me odiava por inteiro por ter partido
o coração dele daquela forma. De uma forma tão aflita que o fez partir sem nem
um adeus se quer.
Alguém
bateu na porta da frente e eu precisei recompor o pouco da dignidade que havia
me restado. Levantei do chão, sequei as lágrimas e tentei não parecer uma maluca
desvairada que acabara de ser deixada pelo noivo. Abri a porta e lá estava ele.
Com o seu melhor sorriso e com aqueles olhos verdes e brilhantes. Em suas mãos
trazia dois cafés quentes.
-
Achei que um café quente seria bom agora. – Ele sorriu e passou por mim na
porta, me deixando ali, parada, sorrindo feito uma boba e pensando em como eu era
uma mulher de sorte por tê-lo ao meu lado.
2/17/2014
Forever you're still gold to me.
Eu era um corpo estranho a mais no mundo, vagando por aí com
uma bagagem repleta de sonhos destruídos e memórias fragmentadas, eu estava
apenas ocupando mais um lugar no espaço que poderia ser dado a qualquer outro
que merecesse mais que eu. E, aquela altura, eu achava que qualquer um merecesse
mais a vida do que eu. Era difícil enfrentar os dias quando tudo que você
queria era continuar na cama até o verão acabar mas sempre havia algo pelo qual
eu levantava naqueles dias e nenhum dos motivos eram sólidos o suficiente para
que eu enfrentasse mais um dia obscuro e mesmo assim lá estava eu, tentando não
falhar na única tentativa que me restou: sobreviver.
Esse era o modo como eu me via, como eu sentia, como eu
olhava para a vida e sentia que ela não me olhava de volta. Eram por esses e
outros motivos que eu rezava para que o dia, o mês e o ano passassem mais
rápido, o suficiente para que aquilo pudesse, um dia, ser enterrado no fundo da
memória e eu decidisse quando eu queria trazer aquilo à tona.
Eu andava vazia, triste e solitária. Haviam, sim, alguns
dias que se destacavam mais que os outros, eram dias agradáveis mas que eu,
provavelmente, não lembrarei quando eu pensar nisso daqui há alguns anos.
Então, ele entrou pela porta de saída dos fundos, a única porta que eu mantinha
aberta para que eu um dia, caso algo piorasse, pudesse escapar. E ele
invadiu tudo aquilo do qual eu tinha medo dentro de mim, ele adentrou todos os
pequenos espaços entreabertos que ficaram em mim e me fez limpar a bagunça dos
meus sentimentos. Ele não se importou com a bagunça, ele só sentou e esperou o meu momento acontecer para que eu me limpasse tudo e desse espaço para coisas novas acontecerem e para que ele pudesse acontecer em mim.
Estar com ele era algo extremamente bom e feliz. Eu queria
poder estar com ele o tempo inteiro mas sei que eu não podia tê-lo a todo instante, por isso que eu
tentava aproveitar ao máximo os momentos que eu tinha com ele. E eu sempre
aproveitava, eu sentia isso, mas nunca me era o suficiente por que quando eu
chegava em casa e caia na cama com aquele sorriso bobo, eu já estava sentindo a
falta dele. E essa era a parte ruim de todo o sentimento bom que eu tinha: me doía sentir tanto a falta de alguém como eu sentia a dele.
O fato dele ter adentrado o meu interior não foi o que me
surpreendeu, o fato dele olhar aquilo tudo, aceitar minha bagagem emocional e
corrompida por tantos problemas e, ainda sim, ficar foi o que realmente me
deixou perplexa. Eu não fazia ideia que, algum dia, alguém pudesse lidar com a
minha bagunça quando nem eu mesma sei lidar na maior parte do tempo. Mas ele me
mostrava o que eu tinha de mudar, por onde eu deveria ir, o que eu deveria
captar de tudo que me acontecia. Era bom tê-lo ao lado pois com ele os dias
cinzas sempre eram bons dias. Não importava como estava o céu lá fora, eu e ele
juntos fazíamos o clima ser extremamente agradável e esclarecedor.
Eu nunca pensei que me sentiria dessa forma outra vez (E estou fadada a pensar se houve, realmente, alguma vez em que estivesse assim). Sempre ouvi dizer que quando você se apaixona é algo inesperado, ninguém é
preparado para a chegada de alguém em sua vida que pretende ficar por muito
tempo, e isso ainda me deixa um pouco receosa e aflita, ainda possuo um medo lá
dentro que grita tão alto que acorda e incomoda todos os sentimentos bons que
sinto neste momento mas tento, ao máximo, não escutar o medo. Eu não preciso
sentir medo do que estar acontecendo porque, dessa vez, eu sei que não sairei
com um coração quebrado. Ele não vai partir o meu coração, ele estaria partindo
o seu se fizesse isso. E a gente sabe o quanto dói um coração partido.
Eu só queria que o relógio que tiquetaqueteia insensivelmente parasse nos momentos em que estivéssemos
juntos porque eu não gostaria de voltar pra casa com a sensação de que estou
deixando algo importante para trás, eu não gostaria de voltar para casa com a
sensação de que você ficou para trás porque eu queria poder te levar comigo
para aonde eu fosse. Eu queria não precisar voltar para casa porque estar com você
era o que eu queria fazer e era no teu abraço que eu queria morar, era em seu
peito que eu queria deitar e repousar minha cabeça cheia de problemas.
Você trouxe o melhor de mim à tona. Eu não sei como lidar
com essa parte de mim, parte que eu não sabia que existia e que eu achei que
nunca veria. Eu sorrio à toa, eu sinto borboletas no estômago e todas as canções
de amor fazem sentido agora. Você é a parte boa em mim e eu não quero perder
isso por nada do mundo.
Agora, quando olho para trás, eu vejo uma estrada bipartida,
com alguns corações quebrados e algumas decepções pelo caminho. Eu ainda vejo
muita coisa da qual eu queria esquecer mas eu já não olho mais com tanta
tristeza e desconforto pois sei que foi um desses caminhos que trouxe você pra
mim e se eu precisei passar por todas essas coisas para te ter, eu ficarei bem
com as memórias e passaria por todas as coisas tortuosas novamente para que, no
fim, pudéssemos ficar juntos de novo. Agora eu vejo que eu vivi a vida achando
que sabia o que era estar apaixonada mas agora é o momento que eu tenho
certeza. E eu sei que estou completamente apaixonada por você.
1/21/2014
Algumas notas sobre você, mas um texto sobre mim.
O verão me deixou mais bronzeada, confesso. Mesmo que essa
não fosse a intenção. Por que antes de estar aqui, nesse lugar, nessa bendita
estação e escrevendo isso através de um lap top em frente ao mar, eu estava
trancafiada em você.
A semana em que tudo aconteceu pareceu a semana mais calma
de lá pra cá. Por que tínhamos terminado tantas outras vezes e, pra mim, aquela
seria mais um termino bobo do qual voltaríamos correndo um para o outro dias
depois. Mas os dias se passaram.
Tudo bem, também. Umas semanas. Às vezes, casais precisam de
férias um do outro – pra respirar, pra viver sem, pra esquecer, pra melhorar, pra
fortificar – e essa ideia estúpida foi o que me fez seguir algumas semanas
ainda esperançosa e cheia de expectativa para o nosso reencontro, como de
praxe.
E as semanas transformaram-se em meses. E o primeiro mês foi
terrível. De um poço quase sem fim. Cavei um buraco em mim que achei que não
tivesse fim. E apaziguava minha dor com bebidas e festas que eu odiava, com
pessoas que eu não conhecia e outras que eu detestava. Mas eu estava lá. Por
que você tinha me deixado e isso era o fim do poço pra mim, beber tinha sido
minha ultima alternativa para esquecer você.
E o primeiro mês foi tranquilo, até que calmo, em relação
dos meses que seguiram. E a bebida era companheira de todas as horas, quando
não estava apenas eu e uma garrafa de vodca estava eu e alguém que eu tinha
conhecido por aí e a garrafa de vodca. E ninguém, ninguém mesmo, nesse meio
tempo conseguia me fazer esquecer você. E eu rezava para te esquecer, todas as
noites.
Muito tempo depois eu vim descobrir o que era o que a vida
tinha feito para mim: pregado-me uma peça sádica e doentia, mas uma peça que eu
precisava interpretar um bom papel. E entendi que não era sobre mim ou sobre o
mundo, era sobre você. Era sobre você não ser o cara certo pra mim. E por mais
que eu ainda te ame e por mais que ainda me doa muito falar sobre você ou ouvir
alguém falar sobre você, estou bem. Estou ficando bem. Estou melhorando todos
os dias.
Não enlouqueci. Não me rasguei por dentro. Não morri. Por
vezes, achei mesmo que não fosse aguentar. Me afundei e me levantei da lama
diversas vezes nesse meio tempo. E você não estava aqui para minhas derrotas e
minhas vitórias. Foi como eu aprendi a ser sozinha. Sem você por perto, a única
pessoa que me dava paz e esperança, aprendi que nenhum outro ser humano pode
ser realmente bom o suficiente para merecer minha companhia e compaixão a todo
e cada segundo. Você era tudo pra mim e o meu tudo me deixou sem nada.
Hoje lembro de você e não choro. Rezo baixinho, vez em
quando, só pra que anjos lhe protejam e te deem paz e felicidade. Por pior que
tenha sido e por pior que eu tenha ficado, daria tudo que posso para vê-lo
feliz. Mas, por favor, seja feliz bem longe de mim. Por que eu estou sendo
muito feliz enquanto estou sozinha e me amando.
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