3/14/2012
Fadiga frequente.
Julgaram-me culpada assim que meu coração fechou as portas. Ninguém parou para escutar minha história, ninguém parou para entender o meu lado, todos só sabiam julgar e me dizer suas verdades inconsequentes, sem saber o meu lado do enredo. E meu coração, grande impostor, cansou-se também do julgamento e foi dormir. Batia, ainda batia porque era necessário manter-me viva ainda, mas já não havia por quem bater. Depois que fechou as portas para as chegadas de novos seres passou a ser extremamente frio, passou a olhar sem mais delicadeza, sem mais detalhismo. Era frio, impiedoso e calculista. Tramando contra qualquer pessoa que aproximasse por mais um metro de sua porta. Mas ninguém entendeu. Ninguém entendeu que eu, a menina que vivia com o coração aberto para novos inquilinos, não tive culpa se meu coração já não aguentava mais tanta porrada, tantos curativos um atrás do outro, tantas decepções. E ninguém procurou entender que o meu coração estava cansado demais, cansado de esperar, cansado de sentir, cansado de ser paciente. E eu e meu coração já estávamos cansados de amar.
Ao novos sonhos românticos.
Ele tinha olhos de quem já havia sofrido por amor, mas me olhava de uma forma como se esperasse que eu pudesse retirar ou apagar da sua memória toda a dor que já havia sentido antes. Do pouco que sei do amor é que ele, quando não correspondido, machuca e isso era tudo que eu tinha pra contar a quem me viesse perguntar sobre tal. É claro que eu poderia dizer os pós e contras universais sobre o amor, o quanto é bom e ruim ao mesmo tempo e todas essas baboseiras que até mesmo quem nunca amou sabe de cor de tanto ouvir as pessoas dizerem. E eu, de fato, queria mesmo poder tirar a tristeza que havia no fundo daqueles olhos, eu quis abraçar um desconhecido e conforta-lo sob o meu abraço, eu quis chorar assim que seus olhos de pedra pairaram sobre mim. Eu não respirei por dez segundos. Dez segundos foi o tempo que ele levou pra se dar conta que todos perceberam que seus olhos não desgrudavam dos meus. Me senti estranha, perdida, como se algo estivesse acontecendo e eu não tivera prestado atenção e embora eu até tivesse parado de respirar, eu gostei da sensação que causou. Eu gostei de como o corpo dele se movia de acordo com seus olhos, eu gostei de como ele caminhava ao me deixar pra trás entre a multidão e, às vezes, olhava sobre o ombro pra ver se eu tinha de distanciado demais. Eu gostei do momento em que tocou minha mão, do modo como me encarou e pediu permissão pra se apresentar. Eu gostei porque não é todo dia que a gente sonha com o amor.
Evaporar.
As pupilas dilataram-se, as mãos suaram frio pedindo para serem limpas mais uma vez, o corpo esquentou-se em meio ao frio que aquele ambiente fazia - e se não fosse exagero, poderia até dizer que cheguei a temperatura do sol - a respiração tornou-se ofegante e as palavras, antes ditas em um tom mais grave e mais alto, tornou-se um leve sussurro abafado e por um breve instante pensei que os tempos de cólera haviam retornado, mas tudo isso não passara de uma grande emoção, a emoção de olhar-te bem fundo nos olhos e perceber que aquilo que eu sentira não era sintomas de doença alguma, era apenas meu corpo transmitindo tudo aquilo que eu não conseguia dizer em palavras: estou te precisando nesse exato momento. O que eu tinha não se pode ser classificado como doença, afinal, existe cura para a tal doença do amor? Não que eu saiba, ainda. Depois do breve momento em que eu realmente achei que estivesse ficado doente percebi que outros breves momentos iniciaram-se enquanto ele estava por perto. Eu quis gritar e sussurrar ao mesmo tempo, quis chorar e sorrir, quis abraçar e manda-lo embora, eu quis tantas coisas naquele instante - inclusive você - mas de nada adiantou, eu fiquei ali mais uma vez parada, pateta, olhando teus abraços envolverem outros abraços que não eram os meus, eu vi teus lábios beijando outros beijos que não eram os meus, eu vi teus olhos brilhando por outros olhos que não era os meus. Então, tive uma explosão de adrenalina e pensei comigo: agora ou nunca, ou vou adiante ou recuo minha tropa e mando meu coração aquetar-se. Dito e feito, fui atrás dos olhos, abraços e beijos daquele homem. Fui atrás porque, como diz minha mãe, não tenho mais vergonha na cara e assumo sempre o que faço e o que sinto, mesmo que eu me foda no final eu sempre fui assim: sinto demais, falo demais, quero demais! E eu queria tanto possuir aqueles olhos nos meus, eu queria tanto aqueles abraços sendo envolvido pelos meus, eu queria tanto que aqueles beijos fossem contratos selados nos meus. Mas não deu, você se foi. Outra vez outro romance arquitetado pela minha imaginação fértil não resistiu as borboletas no estômago e simplesmente se esvaiu no momento que você ultrapassou a porta e sumiu ao lado de outra mulher. Outra mulher! E, nossa, como eu queria ter sido essa mulher. Como eu queria ter sido sua mulher. Mas não foi eu, foi ela. E eu fiquei aqui parada, pateta, com cara de menina que acabara de ser repreendida diante dos amigos. E você, simplesmente, sumiu!
Ao estilo Tiradentes.
De tanto pensar, escrever e falar sobre o amor comecei a achar realmente que eu estava apaixonada embora não soubesse na pele o que sentir o amor, embora não soubesse, também, por quem eu poderia nutrir esse sentimento que eu julgava ser o mais importante de todos. Com o tempo e com as pessoas que começaram a surgir em minha vida, passei a entender um pouco sobre o que amar o outro, sobre como é se dedicar inteiramente a alguém, sobre como é sorrir quando alguém estar feliz e chorar quando alguém estar triste. Mas esse era um amor fiel, um amor sincero, era aquele amor de amigo e eu ainda buscava nas vielas do meu coração alguém realmente capaz de aceitar todo o amor que eu tinha para dar. E eu encontrei esse alguém e nele depositei todo o amor e esperança que eu tinha para que um relacionamento pudesse dar certo, nele eu depositei meus segredos mais obscuros e mais singelos, depositei meus sonhos e metas. Eu depositei tudo que eu tinha de mais bonito dentro de mim em alguém que nunca soubera de fato o que é o amor. Eu vaguei uma vida inteira atrás de alguém que pudesse me aceitar como sou, vaguei a vida inteira atrás de alguém que pudesse sorrir pra mim quando os dias ficassem escuros mas em meio a toda essa escuridão não o vi quando o céu escureceu. Ele tinha apenas deixado rastros e feridas abertas dentro de mim que não cicatrizavam, eram feridas que com o tempo paravam de latejar mas era só ele voltar que a ferida era outra vez exposta. Brincaram com o meu coração! Logo com o meu que sempre fora capaz de amar quem quisesse se aproximar. Não deixei de acreditar no amor mas deixei para trás essa história absurda de me manter presa ao pensamento do amar. Não quero que brinquem com meu coração mas também não fecharei as portas para que ninguém mais possa entrar, apenas farei diferente dessa vez e procurarei ser o mais seletiva possível, afinal de contas, coração exposto em praça pública corre risco de ser arrancado.
Saudade.
Sabe do que eu mais sinto saudade quando eu olho para o meu passado? Do seu sorriso matinal, do quarto bagunçando, do café da manhã já na hora do almoço, do bom dia abafado pelo travesseiro. Eu sempre fui uma pessoa que preservei muito a minha liberdade mas depois que te conheci nessa vida – sim, eu presumo que nós nos conhecemos em vidas passadas – deixei de acreditar que existia realmente a liberdade sem a paz e a guerra do amor. Com você ao meu lado eu aprendi que não adianta ter liberdade quando não se tem amor, é preciso conciliar ambos, torna-los iguais, numa mesma medida. Aprendi, ao seu lado, que a vida era capaz de me libertar enquanto eu amava, por mais que isso antigamente parecesse impossível pra mim. Eu achava que quando eu entrava em um relacionamento eu perdia minha liberdade e por pensar assim nunca tive um relacionamento que ultrapasse os dois longos meses, mas aí você veio e me mostrou que antes de precisar da liberdade eu preciso precisar do amor, do seu amor. E eu precisei tanto desse amor que tornou-se um vicio para mim. Eu não sabia mais respirar longe do ar que você respirava, eu não conseguia passar meus dias sem que você estivesse nele, eu não conseguia mais dar um passo nesse amplo espaço sem que você estivesse acompanhando meus movimentos. E, nossa, como eu sinto saudade da maneira que você me olhava carinhosamente, do modo como você ria quando eu, atrapalhada que sou, caia sem graça no chão. Eu sinto falta das estações, dos livros, dos parques, no mais eu sinto falta de tudo aquilo que pudesse me teletransportar em mente para o seu lado. Agora, eu olho para trás e não vejo mais o mundo vazio, não vejo mais aprisionamento, e eu só tenho a agradece-lo por ter me ensinado coisas que nem a vida me ensinou. Eu agradeço, apenas, por tê-lo conhecido, por ter entrado em minha vida, por ser, pra mim, a minha outra metade. Mas, mesmo assim, mesmo ao longo de todo esse tempo, mesmo continuando em frente, ainda sim eu sinto sua falta. Todos os dias!
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