11/03/2010

Quando se ama uma mulher...

Quero acordar mais cedo e vê-la abrir os olhos bem devagar,se espreguiçar na cama e quando olhar para o outro lado vou estar esperando seu sorriso matinal,um daqueles sorrisos que ela me dá mostrando todos os dentes mas pode ser um só mexendo alguma coisa na face,não ei de ligar,só quero vê-la acordar feliz ao meu lado mais uma vez.
Depois de me enrolar,se enrolar nos lençóis,levantará e partirá para um banho do qual eu não serei convidado e vou respeita-lá e imagina-la ali ensaboando todas as curvas do seu corpo,apagando cada digital minha dos seus quadris,deixando o seu cheiro e o meu quando se juntam ir ralo a baixo mas quando ela sair daquele banheiro ela voltará a ser a minha menina,a moça alegre e do sorriso aberto de todos os dias.
Irá cantarolar uma canção boba só por estar feliz em amanhecer mais um dia ao meu lado e partirá em disparada até a cozinha onde há de se alimentar e eu vou achar incrível o jeito como ela morde o pão deixando aquele resíduo de manteiga no canto dos lábios até a sua língua acha-lo e leva-lo garganta abaixo. Acharei incrível quando ela limpar as mãos no pano de mesa e logo depois afagar minhas mãos com o rosto cheio de farelos de trigo.
Acharei belo quando ela pegar o jornal e fingir estar interessada até a segunda folha e logo depois atira-lo em cima da mesa e pegar seu livro favorito e recitar mais uma vez a sua fala preferida,e eu vou achar lindo o brilho nos olhos dela quando ela repetir cada palavra que já está gravada em minha mente e vou gostar quando o brilho nos olhos aumentar quando a frase estiver falando sobre amor e automaticamente irá pairar seu olhar sobre mim.
Ela perderá a hora e sairá correndo,quase esquecendo de me dar um beijo no canto dos lábios e me lembrar que eu ainda sou o amor da vida dela. Ela vai ligar daqui há meia hora só pra falar que o trânsito em São Paulo é horrível e que o seu sonho é comprar um avião,irá me falar que preferia que eu estivesse dentro do carro dela contando as minhas piadas bobas e sujas para que ela pudesse esquecer das cores do semáforo e rir tranqüilamente do meu modo de contar piada fazendo os gestos com as mãos.
Desligará o telefone e voltará a ligar depois das duas da tarde quando seu nível de estresse estiver entrando em colapso,pra reclamar sobre o trabalho e só pra ouvir o som da minha voz,mas irá falar também sobre seu segundo sonho:abrir seu próprio negócio,e nesse momento vou soltar um leve suspiro tentando imagina-la tão independente que nem se quer precisará de mim e ela vai entender e me lembra,mais uma vez,que eu vou com ela por onde ela for e isso vai mudar meu dia,de novo.
Quando voltar para casa vai largar a bolsa na poltrona da sala e irá gritar meu nome e sair correndo ao meu encontro,mesmo sabendo se estou ou não ali,vai me encontrar lendo algum gibi e vai partir para o abraço me contando que no caminho de volta viu dois velhinhos e nos imaginou naquele momento,para sempre juntos,e eu ei de ficar olhando para seu rosto e atento a cada detalhe que a aperfeiçoava,agradecerei a Deus por te-la pra mim todos os dias em todos esse anos e não ter mudado o que sinto por ela nem um milímetro se quer exceto para melhor.
Vai me tirar da cama alegando que eu não tenho feito nada de interessante e me arrastara para varanda para ver o sol se pôr,vou afagar sua cintura e então ela deitara sua cabeça sobre meu ombro e envolvera suas mãos nas minhas cinturas,também e ficaremos ali vendo o sol se pôr e esperando o dia que virá amanhã e lembrarei naquele momento que é ela e nada mais que ela que me faz bem e pensarei em como eu seria se eu a perdesse um dia e eu não consegui mais me vê sem ela. Eu percebi que iria ser eterno.

Seis horas da manhã,o relógio despertou. Mais um sonho de um cara comum. Do lado,ninguém para amar ou abraçar. Bem vindo ao mundo real,onde a perfeição só está presente em um lugar que ninguém pode ver,além de você.

Tic-Tac. Tac-Tic.

O relógio bate,apressado,me roubando os segundos,me deixando mais velha a cada momento e não para,não têm dó de mim nem do meu coração partido,muito menos dessa vida partida que levo.
Tudo aqui me deixou saudade,sinto falta de tudo,até do cheiro do perfume esquecido no seu corpo da manhã do dia anterior. Minha maior saudade ainda há de chegar pois sinto falta de algo que ainda não vivi e que já deixei para trás.
Sinto fome de comidas que ainda nem foram fabricadas,de amores que talvez eu nem ei de viver,de noites de insônia que não ei de ter.
Brinco de não me importar,de deixar o tempo passar,de não fazer nada esperando que ainda sim algo mude.
O relógio bateu,é que já passa da meia-noite e ainda estou no meio da semana com um coração meio abandonado,com um dos pulsos meio cortado,com opiniões meio que erradas.
Mas veja bem,tenho aprendido muito com essas sobra de tempo e entendi que nem adianta correr quando não se quer sair do lugar por que sempre voltará para o ponto de partida.
Esse envelhecimento precoce de vida,de juventude,de saúde,me faz ir ao espelho todos os dias com cara de quem viveu mas não vive mais e se perguntar se há algo errado.
Vejo minha alma através do espelho,ouço-a mandando-me viver mas sem essa,preciso de motivos sólidos para continuar respirando,e nem me diga que com o tempo isso passa por que estou esperando passar há muito tempo.

11/02/2010

Um entre tantos mas ainda sim,só ele.

Já estive aqui tantas vezes,algumas vezes você até me acompanhou,outras vezes esteve de longe me observando mas sei que nunca deixou de estar por perto.
Depois de algum tempo,com muito esforço,aprendi a aceitar as minhas próprias escolhas impensadas e impulsivas. Você foi uma delas. Não falo sobre o nosso começo,já que pra esse me preparei bastante antes que fosse chegada a hora mesmo que tenha sido sem sucesso,mas falo sobre o nosso fim.
Eramos,de longe,tão perfeitos e de perto tão inocentes. Na verdade,essa era a maneira como eu descrevia "nós" quando alguém me perguntava sobre tal.
Fui eu quem te deixou,em alguma data daquele começo de julho que,pra mim,foi o mês mais excitante naquele momento mas chegou agosto e setembro veio quase colado com ele e então foi exatamente por ai que eu comecei a observar a verdade:Eu te perdi.
Havia outra. Em tão pouco tempo,havia outra em meu lugar. E doeu,sangrou mas nunca deixei que ninguém soubesse como eu ainda conseguia pensar em você depois de tudo que eu tinha feito pra você,o que eu tinha feito conosco.
Eu te deixei mas tudo estava errado. Era pra alguém ficar feliz na história,e eu esperava que esse alguém fosse eu,honestamente. Mas foi você que levou o final feliz pra casa enquanto eu revivi todos os nossos momentos dia após dia durante todos os meses que passaram e que se passariam desde então.
Dezembro chegou tão amedrontador que viver,naquele momento,deixou de ser um desejo pra torna-se uma obrigação e estava doendo a cada dia um pouco mais,mas o sangramento havia estancado.
Era extremamente irritante o barulho da tv na sala chiando sem a sua risada pra acompanhar qualquer besteira que estivesse por ali. Qualquer coisa era motivo pra lembrar de você ou de como você se vestia,ou como você me olhava,como você por tantas as vezes abriu mão dos teus amigos pra passar uma noite de sábado vendo um filme tão sem graça só pela minha companhia. Nunca dei valor.
A cozinha agora está mais fria,também. Ia lá apenas para pegar algo que me alimentasse,ficar por lá é como ficar perto de você. Minha cozinha tinha seu cheiro,o cheiro do teu perfume e lá no fundo tinha a tua imagem sentado na cadeira junto a mesa me chamando pra ficar contigo,e eu,quase sempre,não ia.
Tenho evitado estar em qualquer lugar que me lembre a você. Não vou mais ao cinema,nem gosto de ir na livraria,odeio passar por ruas que passamos juntos e passar pela porta da sua casa sem ir na direção dela era a coisa mais sufocante do dia. Apertava não só o meu peito,apertava minha alma,e fazia um nó na minha garganta e eu engolia o choro só pra não dar motivos para me olharem.
Ainda me perguntam sobre você e eu tenho me perguntando sobre você,também. Tenho me perguntado por que eu fiz isso com a gente e eu não consigo achar uma resposta.
Janeiro passou,fevereiro chegou e com ele outro. Alguém que surgiu no caminho,que durou mais tempo que você mas não conseguiu chegar nem aos pés da intensidade do que vivemos,nem se quer conseguiu me fazer ficar irritada. Esse era o seu dom. Você era o melhor nisso,em me deixar irritada e depois de um mar de "não" você vinha e eu cedia.
Nunca me acostumei em não te ter por perto,você sempre esteve junto quando eu precisei e quando menos te quis aqui. Quando não esperava,me trouxe por diversas vezes a sua presença,o teu sorriso e o teu olhar parado sobre mim. Eu amava isso.
Os meses que vieram depois foram longos demais pra que eu pudesse conta-los ou me distrair com eles,ainda estão duros demais para me suavizarem mas não doía mais.
Eu quase esqueci o seu sorriso,o eco da sua gargalhada havia parado,quando eu pensava em você era mais com saudade.
Achei que o sentimento estivesse acabado,morrido,que não existiria nunca mais um "nós" e seria dali pra frente "eu e você",separados,mas só pra me contrariar,só pra contraria o meu "nunca mais" que eu tinha dito pra todos os meus amigos quando me perguntavam a respeito de "nós",você volta. E eu? E eu cedo,mais uma vez.
Nunca escrevi nada sobre você por que achei que teria você para todo o sempre comigo e quando tenho certeza que terei algo para sempre costumo abandona-lo,deixa-lo de lado,mas quando eu disse eu te amo naquela virada de noite olhando nos seus olhos e você apenas revirou os seus e não respondeu de volta,eu pensei:Está na hora de escrever algo sobre você,meu carma.

O começo do fim.

Eu quis ir embora,quis não ter motivos pra ficar mas sempre tive. Na verdade,tive medo de ir. Medo de abandonar o que resta. Medo de ter medo,de não conseguir,de falhar ou de nem conseguir seguir em frente. Os dias estão cada vez mais curtos,as horas passam tão rapidamente que nem me lembro mais que horas eram quando deixei de viver pra passar a apenas existir.
Tudo está ficando sem cor,sem nexo,sem verdade. Estou me acostumando ao preto e branco,as mesmas pessoas,as mesmas risadas. Estou me acostumando a escutar minha risada cansada e solitária quando consigo me entreter com um livro antigo achado na estante da sala.
Tenho uma mania esquisita de me matar aos poucos. Começo eliminando as pessoas da minha vida,acabando com os sentimentos que restam,com as verdades que deixaram,com os sonhos que construíram comigo. Jogo tudo em uma caixa vazia denominada "fundo do poço" e arrasto-a para de baixo da cama. Pronto,acabou.
Antes era só matar as pessoas de mim,dos meus dias,dos meus pensamentos que eu já estava feliz mas eu não sabia por que,acho que sempre gostei de sentir saudade;mas ultimamente tenho me matado,de verdade.
Me peguei com um copo quebrado nas mãos,com algum pedaço afiado do que resto daquele cristal e quando dei por mim estava perfurando meus pulsos,arranhando-me,sentindo dor e vendo o sangue se expandir e derramar nos lençóis da cama.
Sempre gostei de sentir dor,sempre achei que ficaria mais viva vendo meu sangue correr por aí mas agora não é mais assim,agora é só por tristeza. É vontade de me matar e não ter coragem,é vergonha de não mostrar os pulsos pra mais ninguém.
Ninguém sabe dos meus medos,não pretendo conta-los,ainda mas o meu maior medo é a solidão,embora eu conviva dia e noite com ele.
Tenho enfrentado meus medos todos os dias.
Ele têm me derrotado em todas as lutas.
Cansei.

10/23/2010

O vazio revirando seu travesseiro.

Estou esperando. Esperando o dia em que tudo e todos vão me deixar,esperando que o tempo se arraste e leve de mim esse sentindo que ainda não nomeei. Espero,no caminho da ida,que eu encontre alguém que possa me dar a mão mas se acaso não houver continuarei assim,seguindo,como tenho feito há tanto tempo.
Fui de muitos amigos,de muitos amores mas tudo desapareceu mais rápido que chuva de verão e eu tenho insistido em uma razão lógica para tanto abandono. Sou gente,também. Sinto frio,fome,choro,minto,sorrio e vivo. Algo aqui dentro ainda bate,não por alguém ou por algum motivo,ele apenas bate e quando revelo meus sentimentos com cada palavra que escrevo,parece palpitar aceleradamente.
Perdi pessoas,conceitos,verdades e mentiras no caminho que fiz até aqui e,certo modo,estou feliz. Estou feliz por que dor me faz sentir viva.
A maior dor que existe não é aquela que sentimos quando se ama alguém que não nos corresponde,a maior dor é quando não tem quem amar. A infinita dor é você ter que inventar alguém perfeito para você e acreditar que ele exista e fingir ama-lo,e fingir felicidade. Utopia. Quando colocar os pés no chão saberá que amanhecerá mais uma vez apenas você e seu travesseiro na sua cama e mais ninguém,e mais nada.
Algo vazio,doloroso e silencioso vai abrir a porta do seu quarto e se instalar por lá,e deitará ao seu lado fazendo-lhe companhia e você sentirá tanta dor de não ter alguém que o choro vai chegar,o nó na sua garganta irá surgir e se você for das minhas,cobrirá o rosto com o travesseiro e gritará.
Mesmo quando se é um grito afobado dá pra sentir que é dor,mas só você saberá disso por que amanhã você acordará na sua cama,sozinha,outra vez.